
Sou músico de uma orquestra sinfônica brasileira conhecida. Sou apaixonado pelo que faço e tenho bons rendimentos com meu trabalho. Entretanto, não consigo mais conviver com alguns colegas, cuja personalidade é marcada pelo despotismo, vaidade, prepotência, arrogância e mania de grandeza. Por isso, não sinto mais prazer em ir ao trabalho. É um conflito grande. De um lado, adoro o que faço. De outro, não consigo conviver com egos inflados. Por favor, me ajude.
Deus meu! Você é músico, tem o privilégio de escutar os sons mais sutis. Sabe ouvir o silêncio, que o faz entrar em contato com você mesmo e se apaziguar. Como é possível que esteja dando ouvidos a pessoas com ego inflado? Você está escutando demais e se deixando atrapalhar. Nós podemos ser vítimas de um interesse pelos outros que não leva a nada. Precisamos aprender a ter ouvidos moucos. Aprendi com Lacan. Por mais que eu insistisse, ele simplesmente não escutava certas coisas. Depois de ter me irritado com esse procedimento, passei a só valorizar o que importa. Procedo assim para fazer o consultório sentimental, editando os e-mails a que eu não teria como responder se não editasse, tal a quantidade de detalhes não significativos.
Você adora o que faz, e seu ofício de músico é invejável pelo prazer que a música propicia. Concentre-se nela e não na conduta prejudicial de seus colegas. Você só não será capaz de fazer isso se houver alguma razão inconsciente que o obrigue a ser contrário a si mesmo e ao “grande artista”. Este inclusive “samba na lama”, como diz Chico Buarque. …”despotismo, vaidade, prepotência, arrogância e mania de grandeza” a gente encontra em todo lugar. Ou não encontra se evitar. Valha-se de sua inteligência para não cair numa luta perversa de prestígio e para se afirmar ainda mais através de sua arte, que já foi reconhecida. Não deve ser fácil integrar uma orquestra sinfônica brasileira.
Se você acaso sentir que não pode superar o conflito sozinho, tenha a humildade de procurar quem saiba escutá-lo. Fale até encontrar prazer no trabalho novamente.
Por Betty Milan
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