– Por que é negra a cor do luto?
– Nem sempre. Na Síria e na Armênia, dizem, o luto é azul-celeste.
– Azul? Absurdo.
– É diferente, admito. Mas isso não é tudo. Ouvi dizer que o luto é branco na China, amarelo no Egito, violeta na Turquia…
– Mas isso não está ficando alegre demais? Estamos falando de dor, morte. Estamos falando de perdas irreparáveis.
– Eu sei. Mas quem somos nós para dizer que conhecemos a cor dessas coisas?
– O negro é a falta completa de luz, aí é que está. Não é bem isso o luto? Escuridão completa no espírito?
– Não sei, mas consta que no Japão o luto também é azul. E marrom na Etiópia. Ou seja, deve haver alguma luz, vinda de algum lugar, mesmo no meio das maiores tragédias.
Sérgio Rodrigues
Sobre Palavras
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