
Sou um rapaz de 17 anos que há pouco assumiu a sua homossexualidade. Apesar da tranquilidade quanto a isso, não consigo realizar meu maior desejo, o de me relacionar seriamente com alguém da minha idade. Já fiquei com garotos, claro. Mas foram só casinhos. Quanto aos outros, sempre foram homens mais velhos e até casados, discretos quanto à própria sexualidade, e que não me satisfazem afetivamente, só sexualmente. A atração que eu tenho chega a ser doentia. Às vezes, saio à noite perambulando pela rua, esperando a aparição do superpotente. Nessas saídas, acabo entrando em carros de desconhecidos. Sei que é perigoso, mas não resisto ao impulso embora esteja no divã há três anos.
Você começa seu e-mail falando de si próprio na terceira pessoa: “um rapaz de 17 anos que assumiu”. Se fosse “tenho 17 anos e assumi”, eu acreditaria na tranquilidade. O uso da terceira pessoa mostra que há um descompasso entre você e o rapaz. Isso me leva a pensar que você não o aceita inteiramente. O modo como você qualifica a atração, usando a palavra doentia, confirma isso.
Você hoje não realiza seu maior desejo, o de encontrar o amor, porque você não se ama. Só quem se ama pode amar e ser amado. Também aprendi isso fazendo o Consultório Sentimental.
O problema que eu vejo é a compulsão da qual você precisa se livrar quanto antes. Não só porque sexo só é bom sem obrigação e sem compulsão, mas porque você se arrisca com desconhecidos. No seu caso, é uma questão de vida ou morte.
Espero que você não esteja usando o divã para não mudar. Isso infelizmente é comum. Tomara que você possa se valer dele para deixar de obedecer ao imperativo do gozo, ser objeto do seu inconsciente e se expor ao sadismo alheio. Você não precisa se maltratar porque é homossexual. Por gostar do superpotente. Não há nada de mau nisso.
Por Betty Milan
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