segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Homens: qual a medida da normalidade?

Que o trânsito de São Paulo não anda todos sabem – mesmo quem não é da capital paulista e se vê obrigado a assistir a notícias de engarrafamento dia sim, dia não, na TV. Mas quem não vive o engarrafamento – e deveria agradecer por isso – não sabe, por exemplo, que cada um desenvolve suas estratégias para passar o tempo. Alguns, para nosso azar, tomam gosto pela sinfonia de buzina. Outros aproveitam para botar a leitura em dia e até se esquecem de acelerar quando o trânsito finalmente anda. E outros – e eu me incluo entre eles – aproveitam para olhar a rua e as pessoas, coisa que raramente têm tempo de fazer.

Foi num desses engarrafamentos-experimentos-antropológicos que a vi descendo pela calçada. Era ela: a “mulher-chamativa”. Os homens já criaram uma infinidade de nomes para descrevê-la, começando com “g”, com “t”, todas as letras do alfabeto. Mas para mim, que sou mulher, basta dizer que ela chamava a atenção, com sua calça justa e decote generoso. Eu olhei. Não tinha muito como não olhar. Vocês também fazem isso?

Logo depois, ali, no trânsito parado, comecei a prestar atenção na reação dos homens à “mulher-chamativa”. Ah, se eu tinha notado, certamente eles olhariam…

Ela atravessou a rua e cruzou com um sujeito na direção oposta – e eu ali, só de butuca. Vocês acham que ele virou para dar uma espiada? Mas é claro.

Não me surpreendeu. Se eu, que sou mulher, olhei para a bonitona, não havia dúvida que um homem não se contentaria em vê-la passar assim, de frente, atravessando a rua.

Continuei olhando o moço e ele se virou mais uma vez para apreciar a beleza da mulher que, a essa altura, já estava do outro lado da calçada. Me perguntei: será que ele está querendo se certificar do que viu?

E, então, o homem deu mais dois passos e se virou de novo, quase parando. Quase me passou pela cabeça que ele devia conhecê-la. Cheguei a cogitar até um pensamento um tanto romântico: será que foi paixão à primeira vista e ele vai pedir o telefone dela? Ele teria que agir rápido porque, alheia ao interesse daquele estranho, a mulher já ia longe, a passos decididos. Ele seguiu seu rumo.

Mas, para mim, qualquer possibilidade de boa intenção caiu por terra quando ele se virou pela quarta vez. Foi a prova, para mim, de que havia algo errado. Nenhum homem “normal” olha quatro vezes para uma mulher na rua. Ou olha?

A bonitona era bonita, mas havia passado meio despercebida por outros homens (no máximo uma espiada). Haveria beleza capaz de justificar quatro olhadelas, quatro viradas de pescoço?

Será que a solidão de um homem justifica esse tipo de comportamento? Não sei, mas me parece que olhar quatro vezes para uma mesma mulher na rua não deve ajudar a melhorar a situação…

Mulher 7 x 7, revistaepoca.com

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