quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Política sem ódio: uma ilusão?

Política não se faz com ódio, repetia o presidente Lula desde sua campanha vitoriosa, em 2002, mas, convenhamos, o primeiro-companheiro parece haver esquecido seus próprios conselhos. Desde que Dilma Rousseff precisou disputar o segundo turno tem sido freqüentes os destemperos do chefe do governo. Ainda agora, em Goiânia, atacou os tucanos como se fossem urubus, chamando o senador Marconi Perilo de mau caráter e de mentiroso.

A indagação é sobre que motivos levam o presidente a perder a têmpera: por não haver conseguido transferir à candidata o número necessário de votos para eleger-se no primeiro turno ou por temer a vitória de José Serra. Um acerto de contas com o passado ou o risco de embaralhar o futuro?

De qualquer forma, assistimos um novo Lula no palco, exasperado porque sua imensa popularidade não bastou, dia 3, para fechar o calendário eleitoral. Não agiu assim quando, em 2006, precisou enfrentar Geraldo Alckmin na segunda votação. Foi para o novo confronto sem vacilações e ganhou fácil. Estaria duvidando das possibilidades de Dilma fazer o mesmo, agora?

Faltam dez dias para o segundo turno e as pesquisas, como sempre, refletem os interesses dos institutos, dos veículos que promovem seus resultados e até um pouco das tendências do eleitorado. Pelo jeito, estabilizou-se a diferença entre a primeira e o segundo colocados na votação inicial. Resta saber se até o dia 31 os números permanecerão como se encontram hoje ou se, mais uma vez, confirmarão que o povo não é bobo.

Por Carlos Chagas

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