quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O gosto da transgressão

Consultório Sentimental

Sou advogada, recém casada e feliz. Meu marido é o que a maioria das mulheres quer para si. Tenho saúde, família unida, amigos, beleza, inteligência e personalidade. De mim o que se espera são os filhos e uma vida comum, mas eu quero viver adoidado. Já experimentei algumas drogas e já tive um relacionamento homossexual. Diria que sou metade careta e metade libertina. Um relacionamento aberto com o meu marido é inviável. Me viu transar com outra mulher, mas depois ficou com ciúmes e teve medo de eu me apaixonar. A idéia de um futuro limitado a uma só transa me entristece. Queria variar sem deixar de estar segura. Amo demais o meu marido para correr o risco de perdê-lo.Como acalmar os meus anseios?

Você é “advogada, recém-casada e feliz”, mas é “metade careta e metade libertina”. Foi formatada para uma vida comum, mas o seu desejo contraria a expectativa, introduzindo a possibilidade de uma vida libertina e ameaçando o casamento já que o seu marido não é companheiro para a libertinagem. Em outras palavras, você não realiza a sua liberdade no contexto da instituição matrimonial. Pode ter saúde, família unida, amigos, beleza, inteligência e personalidade, porém não tem liberdade.

Você só vai alcançá-la no dia em que quiser o que puder ter, em que se satisfizer com o possível. Tenho certeza de que o seu desejo de transgredir não data de hoje. Você precisa descobrir por que a transgressão te faz arder. Talvez exista uma relação entre o gosto da mesma e a sua escolha profissional. Vale se questionar sobre isso.

O maior passo que você pode dar, neste momento, é o de se debruçar sobre a sua história para entendê-la. Nenhum outro passo te levará tão longe no caminho do encontro com você mesma, o de que você mais precisa para se assenhorar da sua vida. Para deixar de satisfazer o projeto dos outros e de ser assaltada pelos próprios anseios.

Você é “metade careta e metade libertina”, porém tem muito chão pela frente antes de ser uma mulher livre, capaz de ser fiel ou se separar para viver como bem entende. As alternativas e as possibilidades são várias para quem sabe de si. Tomara que você se valha dos tantos recursos que tem para não continuar à mercê do seu inconsciente.

Por Betty Milan

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.