
Uma pergunta colocada em artigo na internet levou-me a pensar sobre o assunto, corriqueiro até, mas de importância ímpar na vida das pessoas. “É possível entre duas pessoas existir amor eterno?” Vários são os motivos para a resposta não, mas há uma única resposta para o sim: amor. Acontece que para a grande maioria das pessoas é mais fácil encontrar a resposta negativa até porque no momento em que esta procura existe já é um claro sinal de que o lado positivo, o sim, deixou lacunas e pela própria essência e natureza do ato de amar é um indicativo da inexistência de tal sentimento. Não existe meio amor. Ou você ama ou não. Desejos, hábitos, piedade, resignação e outros tantos adjetivos para permanência junto a alguém não são sentimentos nobres e construtivos, muito pelo contrário, são destruidores de pessoas.
O que tem levado casais a uma vida de aceitação e falseamento do existir em detrimento de uma verdade na sua vida conjugal? Segurança pessoal, financeira, do lar, social e outros tantos pontos, inclusive o medo de recomeçar emocional e estruturalmente uma nova vida, impedem tomadas de decisões neste sentido do recomeço. Como uma das poucas coisas observadas na vida é a sua velocidade e tempo de existência em razão de um certo ar de imortalidade e juventude eterna, as pessoas tendem a entender que mais tarde tudo pode se resolver. Essa solução é um poço sem fundo em que se acumulam os problemas que se irradiam por toda a cadeia de vida e relacionamentos.
A vida na sociedade moderna tem levado as pessoas a se auto absorver ou neutralizar sua luz motivadas pelo deslumbramento, e até necessidade, de serem consumidas pelo grupo social, como diz Jabor. Nas reuniões sociais o que menos está presente nos dias de hoje é a alegria de se encontrar ou de surgir novos relacionamentos. Prevalece a teoria do palco em que todos se exibem para a platéia formada pelos próprios atores. Estão à procura de um momento de glória e admiração ou até de vitória diante dos pares. O agrupamento com o objetivo de aproximação e convivência social e de amizade está exaurido ante o êxtase da vaidade, de ser admirado e consumido socialmente. Como pode surgir desse comportamento, que se nota em toda a escala de relacionamentos, algo de grandeza emocional e psíquico que se fundamenta no bem querer e no ser, no sentido real, como semeadura para o amor?
Esta compulsão pela avaliação externa como razão de vida, fragiliza o emocional interior das pessoas e surgem barreiras internas a transpor já que sempre está no outro a razão de ser e viver, o que impede sua fermentação interna. O grau de exigência em que se fundamenta o amor é elevado e destituído de freios e contenções racionais. Sua permanência em uma vida a dois, por exemplo,exige que os constituintes deste elevado grau sentimental tenham os predicados do respeito, da admiração e entrega pelo seu par, da vontade de se construir na parceria e por ai vai. E necessária doação de um pelo outro, não no sentido de uma obrigação, mas no sentido de realizar o outro lado. Doar não é, como muitos entendem, um ato de se desfazer, mas um ato de se realizar no próximo.
O amor tem como conseqüência a felicidade, realização interior pura e que, penso eu, o néctar da vida humana. Mal conceituada tal como realização de desejos, conquistas etc. é ela, a felicidade, que, no seu sentido restrito, move a existência do ser humano e o faz crescer na sua caminhada para o mundo civilizado que ainda está longe de ser alcançado. Não se cria e nem se constrói felicidade, mas é preciso semear o caminho para o seu nascimento, o seu surgimento e sua evolução dentro de nós. Como fazer isto? Talvez, sendo verdadeiro consigo próprio. Quando duas pessoas se entrelaçam espiritualmente nessa proposta, há uma enorme chance de surgir o amor e com ele a vastidão da felicidade. É a reunião de todos os momentos em um só momento.
Por Raphael Curvo
Besta Fubana
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