quarta-feira, 2 de março de 2011

Renúncia

Por Franz Kafka

Era muito cedo, pela manhã, as ruas estavam limpas e vazias, eu ia à estação. Ao verificar a hora em meu relógio com a do relógio de uma torre, vi que era muito mais tarde do que eu acreditara, tinha que apressar-me bastante; o susto que me produziu esta descoberta me fez perder a tranqüilidade, não me orientava ainda muito bem naquela cidade. Felizmente havia um policial nas proximidades, fui até ele e perguntei-lhe, sem fôlego, qual era o caminho. Sorriu e disse:

- Por mim queres conhecer o caminho?

- Sim – disse -, já que não posso encontrá-lo por mim mesmo.

- Renúncia, renúncia – disse e voltou-se com grande ímpeto, como as pessoas que querem ficar a sós com o seu riso.


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